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Avanço nas negociações. Irão aceita deixar de armazenar urânio enriquecido
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, que está a mediar as negociações entre Estados Unidos e Irão, anunciou esta sexta-feira que Teerão deixou cair uma exigência que mantinha desde há várias décadas: assegurar o armazenamento de urânio enriquecido no país.
O ministro Badr Albusaidi realça em entrevista à CBS que se este é um avanço “completamente novo”, uma vez que retira do país os stocks de urânio enriquecido.
Numa altura em que a Administração Trump avalia um eventual ataque contra o Irão, o governante omani sublinha que os negociadores norte-americanos e iranianos fizeram um “progresso substancial” e que poderá ser alcançado um “acordo de paz”.
O MNE de Omã adiantou à CBS que o Irão concordou em deixar de ter urânio enriquecido ao nível necessário para preparar uma bomba nuclear e em “converter em combustível” os stocks de urânio enriquecido existentes no país.
Albusaidi acrescentou que Teerão está disponível para dar aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) um “acesso total” às suas instalações nucleares.
"Não haverá acumulação, não haverá armazenamento e haverá uma verificação completa", afirmou.
Em declarações aos jornalistas esta sexta-feira durante uma viagem para o Texas, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irão deveria abdicar de enriquecer urânio.
"Não há necessidade de enriquecer quando se tem tanto petróleo, por isso não estou satisfeito com as negociações. (…) Nada de enriquecimento. Nem a 20 por cento, nem a 30 por cento", afirmou Trump.
O presidente dos Estados Unidos adiantou ainda que "por vezes é preciso usar a força". Washigton tem, por esta altura, o maior destacamento militar no Médio Oriente desde a invasão do Iraque, em 2003. Para além de mais de 30 mil militares estacionados nesta zona do globo, deslocou ainda uma armada gigantesca, com os porta-aviões USS Gerald Ford - o maior do mundo - ou o USS Abraham Lincoln a aproximarem-se do território iraniano.
Neste contexto, a agência Reuters teve acesso esta sexta-feira a um relatório que indica que o Irão manteve no complexo nuclear de Isfahan o urânio enriquecido necessário para o fabrico de uma bomba nuclear.
O documento, elaborado pela Agência Internacional de Energia Atómica, estima que grande parte do urânio enriquecido de Teerão escapou aos ataques de Israel e Estados Unidos na guerra dos 12 dias, em junho de 2025.
Segundo este relatório, o Irão terá neste local urânio enriquecido até 20 por cento e 60 por cento com níveis elevados de concentração de U-235. Para se alcançar uma bomba nuclear, é necessário um enriquecimento a 90 por cento.
De recordar que o acordo alcançado em 2015 permitia que o país enriquecesse urânio até 3,67 por cento, o que permitia ao país usar a energia nuclear para fins civis mas manter-se ao mesmo tempo distante dos níveis necessários para a bomba nuclear.
Numa altura em que a Administração Trump avalia um eventual ataque contra o Irão, o governante omani sublinha que os negociadores norte-americanos e iranianos fizeram um “progresso substancial” e que poderá ser alcançado um “acordo de paz”.
O MNE de Omã adiantou à CBS que o Irão concordou em deixar de ter urânio enriquecido ao nível necessário para preparar uma bomba nuclear e em “converter em combustível” os stocks de urânio enriquecido existentes no país.
Albusaidi acrescentou que Teerão está disponível para dar aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) um “acesso total” às suas instalações nucleares.
"Não haverá acumulação, não haverá armazenamento e haverá uma verificação completa", afirmou.
No entanto, o ministro reconhece que os negociadores precisam “de um pouco mais de tempo” para acertar alguns pormenores. Na próxima semana, logo na segunda-feira, os negociadores reúnem-se em Viena.
O ministro omani considera que as partes poderão chegar a um acordo "de forma amigável e abrangente" nos próximos três meses.
"Se o objetivo final é garantir para sempre que o Irão não pode ter uma bomba nuclear, acredito que resolvemos esta questão através destas negociações, concordando com um avanço muito importante, nunca antes alcançado", disse o chefe da diplomacia de Omã.
"Se o objetivo final é garantir para sempre que o Irão não pode ter uma bomba nuclear, acredito que resolvemos esta questão através destas negociações, concordando com um avanço muito importante, nunca antes alcançado", disse o chefe da diplomacia de Omã.
Há várias décadas que Teerão insiste no direito de acesso e produção de energia nuclear para fins civis, por exemplo para fins energéticos ou medicinais. No entanto, a Administração Trump continua a insistir numa proibição total de enriquecimento de urânio no país.
"Não estou satisfeito"
Em declarações aos jornalistas esta sexta-feira durante uma viagem para o Texas, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irão deveria abdicar de enriquecer urânio.
"Não há necessidade de enriquecer quando se tem tanto petróleo, por isso não estou satisfeito com as negociações. (…) Nada de enriquecimento. Nem a 20 por cento, nem a 30 por cento", afirmou Trump.
O presidente dos Estados Unidos adiantou ainda que "por vezes é preciso usar a força". Washigton tem, por esta altura, o maior destacamento militar no Médio Oriente desde a invasão do Iraque, em 2003. Para além de mais de 30 mil militares estacionados nesta zona do globo, deslocou ainda uma armada gigantesca, com os porta-aviões USS Gerald Ford - o maior do mundo - ou o USS Abraham Lincoln a aproximarem-se do território iraniano.
Neste contexto, a agência Reuters teve acesso esta sexta-feira a um relatório que indica que o Irão manteve no complexo nuclear de Isfahan o urânio enriquecido necessário para o fabrico de uma bomba nuclear.
O documento, elaborado pela Agência Internacional de Energia Atómica, estima que grande parte do urânio enriquecido de Teerão escapou aos ataques de Israel e Estados Unidos na guerra dos 12 dias, em junho de 2025.
Segundo este relatório, o Irão terá neste local urânio enriquecido até 20 por cento e 60 por cento com níveis elevados de concentração de U-235. Para se alcançar uma bomba nuclear, é necessário um enriquecimento a 90 por cento.
De recordar que o acordo alcançado em 2015 permitia que o país enriquecesse urânio até 3,67 por cento, o que permitia ao país usar a energia nuclear para fins civis mas manter-se ao mesmo tempo distante dos níveis necessários para a bomba nuclear.
Os Estados Unidos, sob a primeira administração Trump, rasgaram este acordo em maio de 2018, por considerarem que este não impedia Teerão de desenvolver a bomba.